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Radar eleitoral

Veritá põe Flávio à frente de Lula. Pesquisa é fotografia, não resultado.

Flávio Bolsonaro aparece com 48,5% e Lula com 43,1% num eventual segundo turno. No primeiro, os dois estão tecnicamente empatados — e outros institutos ainda mostram uma disputa mais apertada.

Redação BROOM5 min de leitura
48,5×43,12º TURNO · VERITÁ · 6 SET

A corrida presidencial ganhou uma fotografia diferente neste domingo, 6 de setembro. Pesquisa do Instituto Veritá mostra Flávio Bolsonaro com 48,5% das intenções de voto contra 43,1% de Luiz Inácio Lula da Silva num eventual segundo turno.

Os votos em branco e nulos somam 4,9%. Outros 3,6% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.

A vantagem numérica de Flávio é de 5,4 pontos percentuais. O resultado chama atenção, mas precisa ser lido pelo que é: o retrato produzido por um levantamento específico, realizado num determinado período e com metodologia própria.

Uma pesquisa pode mudar a manchete do dia. Para mudar o retrato da eleição, precisa virar tendência.

No primeiro turno, a margem entra na conversa

No cenário estimulado de primeiro turno, Flávio aparece com 38,9% e Lula com 38,4%. Como a diferença entre os dois é de apenas meio ponto percentual, ambos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

Augusto Cury ocupa a terceira posição, com 12,2%. Depois aparecem Renan Santos, com 3,7%; Ronaldo Caiado, com 1,9%; e Pablo Marçal, com 1,4%.

O levantamento coloca Flávio numericamente à frente no teste de segundo turno e confirma uma disputa competitiva no primeiro. Isso altera a conversa política, pressiona estratégias de campanha e ajuda a explicar por que cada novo número ganha tanto espaço.

Mas uma pesquisa isolada não estabelece, sozinha, uma tendência.

Outros institutos mostram uma corrida mais apertada

Levantamentos divulgados na mesma semana produziram retratos diferentes. O Datafolha mostrou Lula com 46% e Flávio com 44%. A Quaest registrou 42% para Lula e 41% para Flávio. A Futura/Apex encontrou 45,6% para Lula e 45,2% para Flávio. Nos três casos, houve empate técnico.

As diferenças não significam necessariamente que uma pesquisa esteja certa e as outras erradas. Institutos podem utilizar métodos distintos de amostragem, entrevistas e ponderação dos resultados. O período em que cada levantamento vai às ruas também influencia a fotografia.

Por isso, não faz sentido empilhar percentuais de institutos diferentes como se todos pertencessem à mesma régua. A comparação mais segura acompanha a evolução de cada série e procura movimentos que se repetem em levantamentos futuros.

O que a BROOM vê

O dado mais importante não é apenas quem aparece alguns pontos à frente. É o nível de competitividade da eleição.

Lula e Flávio concentram a maior parte das intenções de voto, enquanto Augusto Cury tenta construir uma alternativa fora da polarização. Ainda assim, a campanha está em movimento, e o eleitor que não escolheu candidato continua capaz de alterar os cenários.

Pesquisa eleitoral não é urna antecipada. Ela mostra como um grupo de eleitores respondeu durante alguns dias — não como todo o país necessariamente votará na eleição.

Nos próximos levantamentos, será possível observar se a vantagem registrada pelo Veritá se repete, diminui ou desaparece. É a sequência das pesquisas, comparada com seus métodos e períodos de realização, que permite identificar uma possível tendência.

O verbo correto é “mostra”. Não “define”.

Ficha técnica

O Instituto Veritá entrevistou 3.804 eleitores em todo o país entre 1º e 4 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi realizado com recursos do próprio instituto e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09426/2026. A divulgação ocorreu em 6 de setembro.

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