A pesquisa empatou. Agora o TSE confere quem pode continuar no jogo.
Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados nos dois turnos. Na segunda-feira, o TSE começa a analisar quem preenche as condições para permanecer oficialmente na disputa.
A eleição de 2026 chegou ao fim de semana com duas perguntas diferentes ocupando a mesma corrida.
A primeira é estatística: quem está na frente?
A segunda é jurídica: quem poderá continuar oficialmente no jogo?
A nova pesquisa Vox Brasil mostra Lula com 37,1% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 34,8%. A distância é de 2,3 pontos percentuais. Como a margem de erro é de 2,15 pontos para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.
Na segunda-feira, 31 de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral começa a analisar registros de candidaturas à Presidência. A sessão virtual ficará aberta até 2 de setembro. Enquanto as pesquisas organizam o retrato da disputa, a Justiça Eleitoral verifica se os nomes apresentados cumprem as condições legais para aparecer na urna.
A pesquisa mede quem o eleitor escolheria. O TSE decide quais escolhas estarão juridicamente disponíveis.
A distância caiu. A margem ainda não saiu da sala.
Na rodada anterior da Vox Brasil, realizada no fim de julho, Lula tinha 47,5% e Flávio, 41,1% no segundo turno. A diferença era de 6,4 pontos.
Agora, Flávio aparece numericamente à frente: 45,1% contra 44,5% de Lula. São seis décimos de distância, muito menos que a margem de erro. Brancos, nulos e nenhum somam 7,9%; outros 2,5% não souberam ou não responderam.
O verbo correto não é “virou”. É “empatou”. O levantamento registra uma aproximação relevante e coloca o senador numericamente à frente no confronto direto, mas não identifica liderança estatística. A manchete pode ter pressa; a margem de erro não tem.
No primeiro turno, a distância entre Lula e Flávio também encolheu. Caiu de 9,3 pontos em julho para 2,3 pontos nesta rodada. Ronaldo Caiado aparece com 5%; Renan Santos, com 3,3%; Romeu Zema, com 2,8%; Augusto Cury, com 2,6%; e Pablo Marçal, com 2%.
Brancos e nulos somam 3,5%. Os que não souberam responder representam 6,8%.
O que a BROOM vê
O movimento importa porque aparece nos dois cenários e dentro da mesma série do instituto. Flávio cresceu, Lula recuou e a polarização ficou mais apertada. Isso é diferente de declarar uma ultrapassagem estatisticamente confirmada.
A rejeição ajuda a explicar o tamanho da disputa. Lula é rejeitado por 52,7% dos entrevistados; Flávio, por 49,3%. Como os participantes podiam rejeitar mais de um nome, os percentuais não precisam somar 100%.
Os dois candidatos lideram o voto e a resistência. O país parece entrar em mais uma eleição na qual muita gente escolhe alguém enquanto organiza, com igual convicção, a lista de quem não aceita escolher.
Para Lula, o alerta é claro: a liderança numérica do primeiro turno já não oferece conforto, e sua rejeição supera a aprovação do governo. Para Flávio, a aproximação mostra competitividade, mas ainda não entrega liderança comprovada. Para os demais, o desafio continua sendo transformar exposição em voto antes que a disputa se feche de vez em torno dos dois polos.
Enquanto isso, o TSE abre a lista
O julgamento dos registros começa à meia-noite de segunda-feira e segue até 2 de setembro no plenário virtual. Os ministros inserem os votos no sistema eletrônico, sem sessão presencial.
Os pedidos de Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos entram nessa etapa com parecer favorável do Ministério Público Eleitoral. Segundo os pareceres relatados pela CNN Brasil, os quatro apresentaram a documentação exigida e não têm, nos respectivos processos, causa de inelegibilidade identificada pelo órgão.
Parecer favorável não é decisão final. A palavra continua com o TSE.
O caso de Pablo Marçal concentra a maior tensão jurídica. O candidato está temporariamente impedido de fazer campanha, participar de debates, usar recursos públicos e aparecer no horário eleitoral gratuito. A restrição vale até o julgamento do mérito de seu registro.
O Ministério Público Eleitoral sustenta que Marçal permanece inelegível até 2032 por uma condenação relacionada à oferta de gravações de vídeos em troca de doações durante as eleições municipais de 2024. Uma de suas condenações foi revertida pelo TRE-SP, mas outra decisão colegiada continua em vigor.
Por isso, os 2% atribuídos a Marçal na Vox Brasil medem a intenção dos entrevistados diante do nome apresentado. Não garantem sua presença na urna.
Dois retratos, duas cautelas
Pesquisa eleitoral e julgamento de candidatura costumam chegar à conversa pública carregados de torcida. Um lado transforma oscilação em destino; outro trata decisão provisória como sentença definitiva.
Os dois erros partem da mesma vontade: encerrar a história antes de ela terminar.
A Vox Brasil oferece um retrato produzido entre 25 e 27 de agosto. O TSE abrirá uma etapa judicial em 31 de agosto. Nenhum dos dois acontecimentos substitui o voto de 4 de outubro.
Mas ambos mudam a campanha. A pesquisa retira conforto dos dois líderes. O julgamento pode reorganizar a lista de candidatos e encerrar a campanha de um nome que ainda aparece nos levantamentos.
A corrida apertou. Agora a Justiça Eleitoral confere quem recebeu autorização para continuar correndo.
Ficha técnica
O Instituto Vox Brasil entrevistou presencialmente, em domicílios, 2.100 eleitores em todo o país entre 25 e 27 de agosto de 2026.
A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos próprios do Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas Ltda. e registrado no TSE sob o número BR-05519/2026.