Lula continua na frente. Flávio encosta. A margem de erro já pediu um sofá.
A nova BTG/Nexus mantém Lula na liderança do primeiro turno e coloca o segundo turno contra Flávio Bolsonaro em 46% a 45%. A disputa apertou; a margem de erro continua se recusando a declarar vencedor.
A nova pesquisa BTG/Nexus chegou com a combinação favorita da política brasileira: números apertados, margem de erro e gente suficiente para anunciar ao mesmo tempo a vitória de Lula, a arrancada de Flávio Bolsonaro e o colapso definitivo de quem estiver do outro lado.
Os dados são menos cinematográficos.
No cenário estimulado de primeiro turno sem Pablo Marçal, Lula aparece com 41% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, com 37%. Ronaldo Caiado tem 5%. Renan Santos e Romeu Zema marcam 3% cada; Augusto Cury, 2%; e Samara Martins, 1%.
Brancos e nulos somam 5%. Outros 3% não souberam ou não responderam. Rui Costa Pimenta, Hertz Dias, Edmilson Costa, Wilson Grassi e Clariana Barão não pontuaram.
Lula segue na frente. Flávio está perto. A pesquisa registra as duas coisas sem precisar transformar nenhuma delas em resultado de outubro.
O primeiro turno mexeu pouco
Na rodada anterior da BTG/Nexus, Lula também tinha 41%. Flávio aparecia com 36%. A nova pesquisa, portanto, mantém o presidente no mesmo patamar e registra uma oscilação de um ponto para o senador.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Isso significa que a diferença observada merece atenção, mas não autoriza construir uma história de virada com um ponto de oscilação.
O retrato mais seguro é o de continuidade: os dois principais candidatos concentram a disputa, Lula preserva a liderança numérica e Flávio continua competitivo. Enquanto isso, todos os demais cabem, com algum aperto, numa única fileira do gráfico.
No segundo turno, o espaço é de um ponto
Na simulação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o placar é de 46% a 45%. Como a margem de erro é de dois pontos, os dois estão tecnicamente empatados.
Na rodada anterior, Lula tinha 47% e Flávio, 44%. O presidente oscilou um ponto para baixo; o senador, um para cima. A vantagem numérica caiu de três pontos para um.
É uma mudança que importa para acompanhar a trajetória da disputa, mas ainda não configura uma ultrapassagem. Pesquisa eleitoral não distribui troféu por proximidade. Ela mede preferências declaradas durante determinados dias, dentro de uma amostra e com incerteza estatística conhecida.
Lula também aparece com 46% contra 42% de Ronaldo Caiado. Nos cenários com Romeu Zema e Renan Santos, o presidente marca 47%; Zema tem 40% e Renan, 35%.
A rejeição também está tecnicamente empatada
A polarização aparece não apenas na intenção de voto. Segundo o levantamento, 49% dizem que não votariam em Lula, enquanto 48% rejeitam Flávio Bolsonaro.
Na rodada anterior, Lula tinha 48% de rejeição e Flávio, 50%. Mais uma vez, as oscilações são pequenas e ocorrem dentro da margem de erro.
O país continua praticando uma modalidade eleitoral conhecida: escolher alguém enquanto organiza, com ainda mais convicção, a lista de quem jamais escolheria.
Marçal aparece no questionário — e no tribunal
A BTG/Nexus também testou um cenário com Pablo Marçal. Nele, Lula marca 40%, Flávio Bolsonaro, 34%, e Marçal, 4%. Caiado tem 5%; Renan, 3%; Zema e Cury, 2% cada.
A inclusão exige contexto. Marçal registrou candidatura, mas sua situação jurídica permanece sob análise. Em 25 de agosto, o TRE de São Paulo reverteu uma das condenações impostas ao candidato; outra decisão colegiada, porém, continua mantendo sua inelegibilidade até 2032. Ele aguarda o julgamento definitivo do registro pelo TSE. A Justiça Eleitoral já restringiu seu acesso ao fundo eleitoral, aos debates e ao horário eleitoral enquanto o caso é analisado.
O dado, portanto, mede o efeito eleitoral de um nome apresentado aos entrevistados. Não confirma que esse nome estará disponível na urna. Pesquisa mede intenção; quem decide a elegibilidade é a Justiça Eleitoral.
O que a BROOM vê
A pesquisa não mostra um terremoto. Mostra algo talvez mais importante: uma disputa nacional estabilizada em torno de dois nomes, com diferença pequena o suficiente para impedir conforto e grande o suficiente para ainda registrar liderança no primeiro turno.
Para Lula, o alerta está no segundo turno e na rejeição elevada. Liderar a primeira etapa não resolve uma eleição quando metade do eleitorado resiste ao candidato.
Para Flávio, o avanço numérico mantém a campanha competitiva, mas ainda não significa liderança. O desafio continua sendo ampliar apoio sem depender apenas do voto contrário a Lula.
Para os demais, os números são menos gentis. O primeiro debate presidencial ofereceu espaço, exposição e três púlpitos sem os favoritos. A pesquisa realizada até o dia do confronto, porém, ainda não mede eventual efeito daquela noite — e muito menos autoriza concluir que ele existiu.
Outras pesquisas virão, com métodos, amostras e datas diferentes. A comparação útil será feita dentro das séries equivalentes, sem misturar institutos como quem soma termômetros para descobrir a temperatura.
A eleição está apertada. A análise não precisa ficar.
Ficha técnica
A Nexus entrevistou por telefone 2.006 eleitores com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, entre 21 e 23 de agosto de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09028/2026. Foi divulgado em 24 de agosto.